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O empreendedorismo, na minha óptica, não é bem como o angolano pensa

Oséias Gomes “países que fazem boa distribuição de renda são os que dão crédito” - empresário brasileiro concede entrevista a revista Mercado, Economy and Finance de Angola

Presidente e fundador da Odonto Excellence crê que Angola pode desenvolver-se de forma multissetorial se investir no desenvolvimento a longo prazo e passando para as novas gerações uma nova mentalidade.


Veio à Angola para falar sobre empreendedorismo, um termo muito difundido nos últimos dois anos. Que avaliação faz do empreendedor angolano?

O empreendedorismo, na minha óptica, não é bem como o angolano pensa. Empreender não é só “coisificar”. Não se trata só de construir prédios, estradas, fazer comércio, que é, no fundo, oferecer mais do mesmo. Isto é só um “braço” do desenvolvimento. Mas, na atual situação em que Angola e o mundo vivem hoje, é preciso investir mais em produção e desenvolvimento. Deve-se mudar a vertente mental. Um estudo da Silicon Valley mostra que a grande tendência não será mais investir em coisas materializadas, mas na mente humana. Para criar coisas quase abstratas e que têm muito valor.



Pode nos dar exemplos?

O Uber, que não passa de um aplicativo muito simples, é uma grande ideia. Hoje, é a maior startup do mundo e a segunda maior empresa, depois da Microsoft, em termos de valor nos mercados de ações. Outro exemplo é o Airbnb, que é também um simples aplicativo. E assim está avançando o mundo. As mãos de obra tradicionais estão transformando-se em quase freelancers. Em São Paulo, 25% das pessoas que se hospedam estão dispensando os hotéis. Pessoas que perderam o emprego, por exemplo, estão ganhando mais dinheiro do que antes, alugando quartos das suas casas. O mundo está caminhando no sentido da inteligência e eficiência. Percebemos isto olhando para empresas como a Tesla, por exemplo. Angola é um país que se está reconstruindo dos escombros, ao mesmo tempo que constrói, lentamente, infraestruturas básicas de raiz.


Como articular novas tendências de desenvolvimento com tantas empreitadas por executar?

Temos que entender que este país está atravessando um momento de transição. Tudo o que o antigo Presidente fez a nível da reconstrução nacional, depois da guerra, foi de extrema necessidade. Sei que ficará gravado nos anais da história. Agora, as mudanças que estão acontecendo, com a mudança governamental, um novo Presidente, com um perfil mais técnico, acontecem também porque se faz necessário. É um novo tempo para este país. Só que, hoje, é preciso crescer, em simultâneo, em todos os setores. Hoje, as mudanças ocorrem muito rapidamente. Angola não pode mais esperar 20 ou 30 anos. Hoje, os mercados não estão 100% protegidos. Em todo o mercado, existe uma oportunidade ou uma armadilha. Se você está preparado mentalmente, vai encontrar uma oportunidade. Mas, se não estiver, entra numa armadilha. Na Silicon Valley consideram um homem de classe média todo aquele que constrói muitos prédios. O próprio presidente dos EUA é considerado um mediano, porque só pensa em construir. Claro que não é a realidade de Angola, mas por que não crescer nas duas vertentes com a nova geração que está surgindo? Vocês têm que desenvolver coisas novas.

Créditos: Aylton Melo, revista Mercado, Economy and Finance, 24/11/2017.

Fonte:http://www.mercado.co.ao/featured/oseias-gomes-de-moraes-paises-que-fazem-boa-distribuicao-de-renda-sao-os-que-dao-credito/

 

 

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